A possibilidade de os Estados Unidos elevarem para até 25% as tarifas sobre determinados produtos brasileiros deve servir de alerta para empresários de todos os setores.
Mais do que uma discussão comercial, o episódio revela uma transformação importante na economia mundial.
Durante muitos anos acreditou-se que a globalização avançaria continuamente, reduzindo fronteiras econômicas e ampliando a integração entre os países.
Hoje, entretanto, observa-se um movimento diferente.
As grandes potências voltaram a utilizar instrumentos econômicos para proteger seus interesses estratégicos.
O RETORNO DO PROTECIONISMO
Tarifas, barreiras regulatórias, incentivos fiscais internos e restrições comerciais passaram novamente a ocupar papel central nas relações internacionais.
Esse fenômeno não é exclusivo dos Estados Unidos.
Diversos países têm adotado medidas para proteger setores considerados estratégicos para suas economias.
A diferença é que, quando a maior economia do mundo toma uma decisão dessa natureza, os impactos tendem a ser sentidos em escala global.
O QUE ESTÁ POR TRÁS DAS TARIFAS?
Muitas vezes existe a percepção de que tarifas são apenas mecanismos de arrecadação.
Na prática, elas funcionam como instrumentos de política econômica.
Ao tornar produtos importados mais caros, um país aumenta a competitividade de seus produtores locais, fortalece determinados setores e amplia seu poder de negociação internacional.
Sob essa perspectiva, a possível tarifa de 25% deve ser compreendida como parte de uma estratégia mais ampla de defesa de interesses econômicos e comerciais.
O QUE ISSO SIGNIFICA PARA AS EMPRESAS BRASILEIRAS?
A principal lição é simples.
O ambiente econômico internacional tornou-se mais imprevisível.
Mudanças regulatórias, disputas comerciais e decisões políticas passaram a influenciar diretamente a competitividade das empresas.
Diante desse cenário, algumas medidas tornam-se fundamentais:
1 – Diversificar mercados
Empresas excessivamente dependentes de um único país ou cliente tornam-se vulneráveis a fatores externos sobre os quais não possuem controle.
2 – Fortalecer o caixa
Liquidez significa capacidade de adaptação.
Empresas financeiramente sólidas enfrentam períodos de turbulência com maior segurança.
3 – Investir em eficiência
Quando fatores externos pressionam margens de lucro, a competitividade passa a depender cada vez mais da gestão interna.
4 – Monitorar riscos regulatórios
Acompanhar mudanças tributárias, econômicas e regulatórias deixou de ser uma atividade acessória. Tornou-se uma necessidade estratégica.
A NOVA REGRA DO JOGO
A discussão sobre a tarifa de 25% revela uma realidade que muitos empresários ainda resistem em aceitar.
O mundo está entrando em uma fase de maior competição econômica entre países e blocos comerciais.
Nesse ambiente, prosperarão não necessariamente as maiores empresas, mas aquelas que forem mais preparadas, mais eficientes e mais adaptáveis.
A estratégia deixou de ser um diferencial.
Ela passou a ser um requisito de sobrevivência.
Adv. Saul Sastre – OAB/RS 138.752
